É de loucos, é incrível, impressionante e verdadeiramente eficaz. Odeio estes dias, olho para aqui e para ali, vou ver as fotografias antigas, as conversas guardadas, ouvir as minhas músicas, fazer vir ao de cima umas quantas memórias que já foram por sinal o meu presente, que já me fizeram feliz e capaz de me fazer chorar, verdade seja dita que não é preciso muito. Como me disseram ontem não depende realmente de mim. E eis que por culpa destas recordações, eu me pus a pensar (o que nestas alturas não é nada bom) e me interroguei, como é que alguém é capaz de nos fazer voar tanto? Mesmo que no fim tudo seja mentira. Como é que conseguimos acreditar tão cegamente em promessas ridículas? Confiar piamente que apesar da distância ele será sempre nosso? Acreditar que ele também nos ama, como nós o amamos, que vai sentir a nossa falta quando por causas previamente desconhecidas se afasta? Pensar que um dia ainda tudo voltará a ser como antes, porque se vai arrepender e pedir desculpa? Como é que nos consegue fazer amar desta maneira, com tanta força? E chorar assim? Rir assim? Sofrer assim? Viver assim? Como? Como? Como é que alguém que nunca será o tão idealizado homem perfeito, para nenhuma mulher deste mundo, é o homem que a mim me faz dizer que não há melhor que ele. A vontade de o ouvir, de o ver, de lhe falar, devora-me todos os dias, mesmo eu sabendo que mais nada passará daqui, que isto não nos vai levar ao fim, porque o fim já passou por nós há uns meses, eu quero. Não é necessidade, é vontade, das mais fortes que tenho, que me faz também querer tudo de novo.
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